8 de fevereiro de 2007

MOCIDADE, MOCIDADE

Nunca pensei ver o dia em que Salazar seria votado pelos portugueses como "uma figura notável".
E contudo era mais do que previsível. O Tempo tudo faz esquecer aos mais velhos. E os mais novos imaginam-se os seus inventores.
Fica para trás o país amordaçado, os escritores que eu conheço que foram presos e torturados, a fome e a ignorância que consumiram a geração dos meus avós e encheram a dos meus pais de marcas físicas e morais. Para trás fica a compreensão do porquê de não registarmos as queixas nas repartiões públicas, de aturarmos o comportamento arrogante de políticos e de acharmos que isto é mau para nós porque na verdade não pode ser bom para todos.
Enquanto escrevo isto, penso na dor que me causou levar reguadas na escola diante da figura do Craveiro Lopes. E no ar desorientado do professor primário quando estourou o 25 de Abril e percebeu que isto agora, se calhar tinha que lá ir com inteligência...

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